quinta-feira, 28 de agosto de 2014

7 motivos pelos quais Marina Silva não representa a “nova política”

Se a sua intenção este ano é votar em uma "nova forma de fazer política", leia este texto antes de encarar a urna eletrônica

por Lino Bocchini — publicado 27/08/2014 14:10, última modificação 27/08/2014 16:07
Léo Cabral/ MSILVA Online
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Neca Setúbal, herdeira do Itaú e coordenadora do programa de governo de Marina Silva, a candidata e seu vice, Beto Albuquerque.
É comum eleitores justificarem o voto em Marina Silva para presidente nas Eleições 2014 afirmando que ela representaria uma “nova forma de fazer política”. Abaixo, sete razões pelas quais essa afirmação não faz sentido:
1. Marina Silva virou candidata fazendo uma aliança de ocasião. Marina abandonou o PT para ser candidata a presidente pelo PV. Desentendeu-se também com o novo partido e saiu para fundar a Rede -- e ser novamente candidata a presidente. Não conseguiu apoio suficiente e, no último dia do prazo legal, com a ameaça de ficar de fora da eleição, filiou-se ao PSB. Os dois lados assumem que a aliança é puramente eleitoral e será desfeita assim que a Rede for criada. Ou seja: sua candidatura nasce de uma necessidade clara (ser candidata), sem base alguma em propostas ou ideologia. Velha política em estado puro.
2. A chapa de Marina Silva está coligada com o que de mais atrasado existe na política. Em São Paulo, o PSB apoia a reeleição de Geraldo Alckmin, e é inclusive o partido de seu candidato a vice, Márcio França. No Paraná, apoia o também tucano Beto Richa, famoso por censurar blogs e pesquisas. A estratégia de “preservá-la” de tais palanques nada mais é do que isso, uma estratégia. Seu vice, seu partido, seus apoiadores próximos, seus financiadores e sua equipe estão a serviço de tais candidatos. Seu vice, Beto Albuquerque, aliás, é historicamente ligado ao agronegócio. Tudo normal, necessário até. Mas não é “nova política”.
3. As escolhas econômicas de Marina Silva são ainda mais conservadoras que as de Aécio Neves. A campanha de Marina é a que defende de forma mais contundente a independência do Banco Central. Na prática, isso significa deixar na mão do mercado a função de regular a si próprio. Nesse modelo, a política econômica fica nas mãos dos banqueiros, e não com o governo eleito pela população. Nem Aécio Neves é tão contundente em seu neoliberalismo. Os mentores de sua política econômica (futuros ministros?) são dois nomes ligados a Fernando Henrique: Eduardo Giannetti da Fonseca e André Lara Rezende, ex-presidente do BNDES e um dos líderes da política de privatizações de FHC. Algum problema? Para quem gosta, nenhum. Não é, contudo, “uma nova forma de se fazer política”.
4. O plano de governo de Marina Silva é feito por megaempresários bilionários. Sua coordenadora de programa de governo e principal arrecadadora de fundos é Maria Alice Setúbal, filha de Olavo Setúbal e acionista do Itaú. Outro parceiro antigo é Guilherme Leal. O sócio da Natura foi seu candidato a vice e um grande doador financeiro individual em 2010. A proximidade ainda mais explícita no debate da Band desta terça-feira. Para defendê-los, Marina chegou a comparar Neca, herdeira do maior banco do Brasil, com um lucro líquido de mais de R$ 9,3 bilhões no primeiro semestre, ao líder seringueiro Chico Mendes, que morreu pobre, assassinado com tiros de escopeta nos fundos de sua casa em Xapuri (AC) em dezembro de 1988. Devemos ter ojeriza dos muito ricos? Claro que não. Deixar o programa de governo a cargo de bilionários, contudo, não é exatamente algo inovador.
5. Marina Silva tem posições conservadoras em relação a gays, drogas e aborto. O discurso ensaiado vem se sofisticando, mas é grande a coleção de vídeos e entrevistas da ex-senadora nas quais ela se alinha aos mais fundamentalistas dogmas evangélicos. Devota da Assembleia de Deus, Marina já colocou-se diversas vezes contra o casamento gay, contra o aborto mesmo nos casos definidos por lei, contra a pesquisa com células-tronco e contra qualquer flexibilização na legislação das drogas. Nesses temas, a sua posição é a mais conservadora dentre os três principais postulantes à Presidência.
6. Marina Silva usa o marketing político convencional. Como qualquer candidato convencional, Marina tem uma estrutura robusta e profissionalizada de marketing. É defendida por uma assessoria de imprensa forte, age guiada por pesquisas qualitativas, ouve marqueteiros, publicitários e consultores de imagem. A grande diferença é que Marina usa sua equipe de marketing justamente para passar a imagem de não ter uma equipe de marketing.
7. Marina Silva mente ao negar a política. A cada vez que nega qualquer um dos pontos descritos acima, a candidata falta com a verdade. Ou, de forma mais clara: ela mente. E faz isso diariamente, como boa parte dos políticos dos quais diz ser diferente.
Há algum mal no uso de elementos da política tradicional? Nenhum. Dentro do atual sistema político, é assim que as coisas funcionam. E é bom para a democracia que pessoas com ideias diferentes conversem e cheguem a acordos sobre determinados pontos. Isso só vai mudar com uma reforma política para valer, algo que ainda não se sabe quando, como e se de fato será feita no Brasil.
Aécio tem objetivos claros. Quer resgatar as bandeiras históricas do PSDB, fala em enxugamento do Estado, moralização da máquina pública, melhora da economia e o fim do que considera um assistencialismo com a população mais pobre. Dilma também faz política calcada em propósitos claros: manter e aprofundar o conjunto de medidas do governo petista que estão reduzindo a desigualdade social no País.
Se você, entretanto, não gosta da plataforma de Dilma ou da de Aécio e quer fortalecer “uma nova forma de fazer política”, esqueça Marina e ouça Luciana Genro (PSOL) e Eduardo Jorge (PV) com mais atenção.
De Marina Silva, espere tudo menos a tal “nova forma de fazer política”. Até agora a sua principal e quase que única proposta é negar o que faz diariamente: política
.

Quem decifra Marina?

Oficializada como candidata pelo PSB, Marina Silva entra no jogo eleitoral e demonstra fôlego para chegar à Presidência, mas hoje é uma espécie de esfinge política. Repleta de contradições, já provocou baixas em sua própria base de apoio

Claudio Dantas Sequeira e Josie Jerônimo.
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A PRIMEIRA BAIXA O secretário-geral do PSB, Carlos Siqueira, deixou a campanha depois de se desentender com Marina Silvaft;">Candidata oficial do PSB à Presidência da República desde a quarta-feira 20, Marina Silva vem provocando um reboliço no cenário eleitoral. Pesquisas de opinião indicam que a ex-senadora tem fôlego para superar o desempenho obtido na campanha de 2010 e até chegar a um segundo turno. Tais chances ficarão mais claras quanto maior for o conhecimento do eleitor sobre suas ideias e convicções. É aí que moram os problemas da candidata. Marina é uma personagem ainda enigmática e repleta de contradições – uma espécie de esfinge política. A evangélica fervorosa de aparência frágil esconde uma personalidade forte, geralmente inflexível e com escassa capacidade de articulação política. Essa faceta – combinada a posições radicais e a um comportamento quase messiânico – transforma Marina num enorme ponto de interrogação, praticamente um cheque em branco.


O ENIGMA MARINA
A candidata do PSB cresce nas pesquisas, em meio à comoção nacional
pela morte de Eduardo Campos, mas ainda precisa deixar claro
quais são suas ideias e seus projetos para o País

Até a morte de Eduardo Campos no brutal acidente aéreo três semanas atrás, Marina desfrutava da confortável posição de vice na chapa liderada pelo socialista. Funcionava como cabo eleitoral de luxo, tentando transferir para o colega ao menos parte dos 20 milhões de votos que amealhou há quatro anos. Era coadjuvante. Quem ia para os embates públicos, quem participava das sabatinas de entidades do setor produtivo e precisava responder às incômodas perguntas de jornalistas era Campos. Mas a tragédia que ceifou a vida do ex-governador também arrancou o véu que a protegia. Agora, na condição de protagonista, Marina terá de enfrentar esses dilemas.
Evangélica ligada à Assembleia de Deus, a candidata faz da fé religiosa um hábito político. Seja em reuniões partidárias, seja em discursos ou entrevistas, gosta de citar parábolas da “Bíblia” – e sempre carrega um exemplar no qual faz anotações constantes. Quando era ministra do Meio Ambiente, Marina convidava assessores para participar de pequenos cultos, que aconteciam muitas vezes dentro de seu próprio gabinete. Num Estado laico como o Brasil, religião é questão de foro íntimo. Convém não usá-la para justificar atos de gestão e muito menos a construção de políticas públicas, sob o risco de retrocesso à época pré-republicana, quando a Igreja controlava o Estado. O usual no País é ver a fé popular explorada por políticos de viés populista, que apostam no culto à personalidade para se perpetuarem no poder.
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CHAPA
Na quarta-feira 20, o PSB confirmou Marina Silva como candidata ao Planalto.
O deputado Beto Albuquerque (à dir.) será o vice

Marina se aproximou perigosamente desse caminho quando alegou não ter embarcado no avião de Eduardo Campos por “providência divina”. Menos mal que Marina tenha incluído o filho caçula e a viúva de Campos na afirmação. Ou seja, segundo seu próprio entendimento, ela não foi a única escolhida por Deus para permanecer no convívio entre os mortais. De qualquer forma, declarações nesse tom reforçam o caráter messiânico de sua candidatura e reduzem as chances de justificativas racionais. Na verdade, Marina não embarcou para o Guarujá, no mesmo avião de Eduardo Campos, porque não queria encontrar-se com o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, nem com seu vice, o socialista Márcio França. Ela sempre foi contra a aliança do PSB com o PSDB. Mas mexer com o imaginário coletivo, ao que parece, rende mais votos do que falar sobre escaramuças partidárias.
Marina se cerca de cuidados, no entanto, quando suas crenças podem colocar muitos votos em risco. É assim com o debate sobre a liberação do aborto. Antes, aliando-se à grande maioria dos evangélicos, era contra. Hoje, segundo ela, o assunto deve ser decidido em plebiscito. Sobre o casamento gay, já teve várias posições. Em 2010, se dizia contrária, agora defende a criminalização da homofobia e até apoia a adoção por casais homosafetivos. Mas numa palestra na Universidade Católica de Pernambuco, no ano passado, saiu em defesa do deputado Marco Feliciano (PSC-SP), que se notabilizou pelas atitudes homofóbicas. Para Marina, o parlamentar estava sendo criticado só “por ser evangélico”. Ao tentar explicar a declaração, Marina atacou um representante do agronegócio e provocou outra polêmica.
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A declaração não ocorreu por acaso. Para Marina, o agronegócio, que representa 23% do Produto Interno Bruto (PIB), é o maior vilão do meio ambiente. Essa é outra questão que a candidata a presidente pelo PSB precisa esclarecer. Como alguém que anseia assumir o Executivo do País pode desconsiderar um setor que responde por 23% do PIB? Contra a agricultura e a pecuária extensivas, ela propõe um modelo “inteligente”, que produza mais com menos recursos. “Temos que agregar o conhecimento e a base tecnológica, ampliando cada vez mais para ter uma produtividade que crie uma nova narrativa para os nossos produtos”, diz Marina. Mas a candidata não explica como fará isso, o que só apavora os empresários do setor. Para tentar ganhar a confiança do campo, ela e a cúpula do PSB, com o aval da família de Campos, decidiram indicar como vice na chapa o deputado federal gaúcho Beto Albuquerque.
Importantes empresas do setor doaram para as últimas campanhas de Albuquerque, que também atuou fortemente para a liberação do cultivo da soja transgênica – coincidentemente, na época em que Marina era ministra do Meio Ambiente e nem sequer era chamada para os debates sobre o tema no Palácio do Planalto. Ele também recebeu contribuições de indústrias de agrotóxicos, armas e bebidas. Ao redigir o estatuto da “Rede Sustentabilidade”, Marina proibiu doações desses segmentos. Na condição de candidata, na semana passada, ela reforçou a intenção de vetar contribuições desses setores. Resta saber se o veto se estenderá ao seu vice.
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Outras questões essenciais para quem almeja a Presidência da República permanecem mergulhadas em água turva por Marina. Questionada sobre a matriz energética brasileira, na semana passada, entoou discurso que parecia um eco da campanha de 2010. “Infelizmente, estamos sujando a matriz energética brasileira. Os arremedos que estão sendo feitos com as térmicas para os momentos de baixa dos reservatórios têm de ser reduzidos”, afirmou. Como resolverá o problema, não deixou claro. Falou em compensar a produção com investimentos em fontes já existentes. No passado recente, Marina defendia a ampliação do parque eólico e de energia solar, além da substituição de grandes hidrelétricas por pequenas centrais. As medidas são consideradas insuficientes por especialistas. A postura de Marina traz incerteza para o futuro de projetos cruciais para a ampliação da oferta de energia, como a construção da usina de Belo Monte. 
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A PRIMEIRA BAIXA
O secretário-geral do PSB, Carlos Siqueira, deixou a campanha
depois de se desentender com Marina Silva

Durante o governo Lula, o debate sobre a política energética acomodou em trincheiras opostas as atuais adversárias na corrida eleitoral Dilma Rousseff (PT), então chefe da Casa Civil, e Marina Silva, à época ministra do Meio Ambiente. “Desde então, é como água e óleo. Elas não se misturam”, disse à ISTOÉ um ex-ministro do PT. As duas, no entanto, guardam semelhança numa característica essencial ao exercício do poder: ambas têm pouco jogo de cintura político. Toda vez que ocupou cargos administrativos, Marina Silva cultivou uma maneira bem peculiar de tomar decisões, que escapa aos moldes usuais. Segundo assessores próximos, ela gosta de reunir todos ao redor de uma mesa para colher suas opiniões. A decisão, no entanto, ela toma sozinha, fechada em copas. A palavra final nem sempre é consenso entre seus pares. Antes da derradeira tomada de posição, normalmente provoca suspense, deixando tensos até os aliados mais próximos. Foi assim, surpreendendo a todos, que em reunião com dirigentes do PSDB, Marina sacou essa: “Busco uma aliança com a sociedade, não com as forças políticas tradicionais. Se isso prevalecer, e se eu for eleita, só governo por quatro anos, sem reeleição”, disse, para o espanto da maioria. Essa maneira de operar gera problemas na articulação política. Quando era senadora, tinha dificuldades para negociar com colegas de plenário. Sem diálogo, sem capacidade de convencimento, Marina demonstrou um desempenho parlamentar pífio. Das 73 proposições apresentadas, a parlamentar conseguiu a aprovação de apenas três: uma PEC regulamentando a aposentadoria do “extrativista vegetal”, um projeto de lei que obriga o SUS a garantir transporte e alimentação a pacientes e outra proposição criando o “Dia Nacional dos Povos da Floresta”.
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A falta de traquejo ficou novamente evidenciada nas negociações da nova chapa da coligação. Para ser chancelada pelo PSB, a candidata exigiu o controle do comando e das finanças da campanha. Escalou o ex-deputado Walter Feldman para a coordenação-geral, escanteando o socialista Carlos Siqueira. Ele abandonou a reunião no meio da fala de Marina, a quem chamou de “hospedeira”. “Ela não representa o legado de Campos. Que vá mandar na Rede dela”, disse ele, antes de resolver abandonar a campanha. Também desertaram os governadores Camilo Capiberibe (Amapá) e Ricardo Coutinho (Paraíba). Na quinta-feira 21, na tentativa de apaziguar os ânimos internos, Marina resolveu mudar a equipe. Designou Luísa Erundina para a coordenação e acomodou Márcio França na tesouraria. Questionada sobre a crise, Marina disse que houve uma incompreensão. De fato, fazer com que os outros a compreendam não é muito o forte da candidata.  
Foto: Adriano Machado

Teófilo Otoni decreta calamidade na saúde e hospitais são fechados

A medida vale por 180 dias, mas não seria suficiente para evitar o fechamento dos hospitais da cidade.

Foto: arquivoTeófilo Otoni decreta calamidade na saúde e hospitais são fechados
Sozinho o Hospital Santa Rosália, que também é pronto-socorro, acumula dívida de R$ 35 milhões.
A sobrecarga registrada pelos quatro hospitais de Teófilo Otoni que recebem pacientes de 91 municípios dos vales do Mucuri, Jequitinhonha e São Mateus - cerca de 1,2 milhão de pessoas - levou o prefeito Getulio Neiva (PMDB), a decretar Estado de Calamidade Pública no sistema de saúde.
 
A medida vale por 180 dias, mas não seria suficiente para evitar o fechamento dos hospitais da cidade.
  
Segundo o prefeito, o fechamento de vários hospitais da região criou uma situação de difícil administração sem que haja recursos extras, e  é preciso tomar medidas drásticas e estabelecer um novo fluxo de atendimento com verbas especiais para dar suporte ao sistema sobrecarregado.
 
Atualmente a prefeitura investe cerca de R$ 6 milhões nos hospitais e precisa de, no mínimo, mais R$ 3 milhões apenas para o custeio.
  
Dos quatro hospitais de Teófilo Otoni, dois são públicos, um é beneficente e o é outro particular com dez leitos pelo SUS. Mas a maioria dos pacientes de outras cidades chegam em ambulâncias, exigindo atendimento prioritário.
 
As dificuldades para atender essa sobrecarga foram comunicadas aos governos federal e estadual, mas segundo o prefeito, até o fim do período eleitoral, nenhum convênio poderá ser firmado. Por isso a importância do decreto.
  
“Queremos e temos competência para atender toda a região, mas os governos federal e estadual precisam comparecer com os recursos financeiros necessários”, diz o prefeito reclamando do “imenso vazio assistencial” ocasionado pela falta de atendimentos nos hospitais da região. "Temos que buscar alternativas". Sozinho o Hospital Santa Rosália, que também é pronto-socorro, acumula dívida de R$ 35 milhões. “Nele pacientes aguardam por internação em macas nos corredores por até 15 dias”, admite.
  
Fechados
  
Conforme o decreto, os hospitais de Pavão, Poté,  Caraí, Itaipé, Machacalis, Ataleia fecharam as portas nos últimos meses e o de Itambacuri anunciou paralisação para a partir de 1º de setembro.
 
Um hospital de Diamantina suspendeu o atendimento em traumatologia e os hospitais que continuam atendendo não realizam procedimentos traumatológicos, em especial os da Macro Região de Diamantina.
  
“A tabela do SUS não é reajustada há muito tempo e os valores repassados não são suficientes. O fechamento acontece em efeito cascata e pode atingir Teófilo Otoni” avisa o prefeito contando que todos os hospitais da cidade poderão ser fechados de uma só vez porque têm a mesma fonte de captação.  E se isso acontecer a alternativa será enviar os pacientes para Belo Horizonte. “A  situação é crítica na região. Muitos hospitais só estão abertos por pressão do Ministério Público mas alguns fazem de conta que funcionam”, denuncia.
  
Conforme Getúlio Neiva, somente no Hospital Santa Rosália o número de pacientes  encaminhados em “vaga zero”, aumentou de 62 para 180 de janeiro a julho deste ano; e apresentou, somente em abril, 2.621 solicitações de internações negadas do SUS-FÁCIL. As demais unidades de saúde do município também estariam sofrendo com a sobrecarga..
  
Decreto:
 
O decreto autorizada a contratação direta dos profissionais necessários à continuidade dos serviços públicos de saúde, mediante procedimento de Chamada Pública, a cargo da Secretaria Municipal de Saúde e considerando a urgência da situação, dispensa de licitação os contratos de aquisição de bens, de prestação de serviços e de obras relacionadas com a manutenção dos serviços públicos de saúde, desde que possam ser concluídas no prazo máximo de 180 dias.

Fonte: Hoje em Dia.

O messianismo da terceira via é neoliberal.

O Brasil  já conheceu candidato messiânicos. O Jânio ia salvar o Brasil da corrupção. O Collor, do Estado povoado dos marajás e das carroças. Deu no que deu. 

O messiânico se julga agente da Providência, diz que veio para dar um jeito em todos os problemas do mundo, escolhe os bons, que devem acompanhá-lo na gesta, não diz quais são os problemas, nem como vai resolvê-los. Se julga acima de tudo o que o mundo conhece.

O Brasil já conheceu candidatos messiânicos. O Jânio ia salvar o Brasil da corrupção. O Collor, do Estado povoado de marajás e das carroças a que o mercado interno protegido nos condenava. Deu no que que deu.

Marina diz que veio para nos salvar da polarização PT-PSDB, como se fosse uma terceira via. Esta foi uma operação internacional levada a cabo pela segunda geração de governantes neoliberais – Bill Clinton, Tony Blair – que pretendiam ser uma visão adocicada do neoliberalismo duro de Margareth Thatcher e de Ronald Reagan. Era a terceira vida quem convidada a FHC para suas reuniões, para mostrar que havia vida inteligente nestas paragens barbaras.

O próprio FHC queria ser a terceira via aqui, mas diante do fracasso do Collor teve que vestir o tailleur da Thatcher e fazer o jogo mais pesado do neoliberalismo: privatizações, abertura dos mercados, Estado mínimo, precarização laboral. Uma vez mais a terceira via não pôde se realizar.

Marina apela de novo a esse chavão gasto da terceira via, desta via, de forma messiânica, para nos salvar da polarização PT-PSDB. Só que deixa seu rabo de fora: equipe econômica ortodoxamente neoliberal – Andre Lara Resende, Neca Setubal, Eduardo Gianetti da Fonseca -, independência do Banco Central, etc., etc. , o mesmo tipo de equipe dos tucanos – da mesma estirpe de Arminio Fraga -, e as mesmas posições.

A terceira via da Marina se volta contra o Estado e sua apropriação pelo PT, pregando a superação disso, que chama de “bolivarianismo”. 

A mescla integra componentes da salada ideológica do seu discurso: ONGs, sociedade civil, menos Estado. Silêncio total sobre as teses que caracterizam os avanços na superação do neoliberalismo do FHC: centralidade das políticas sociais, integração regional e intercâmbio Sul-Sul, papel ativo do Estado na economia e nos direitos sociais. 

A equipe econômica e o discurso sobre a apropriação do Estado pelo PT não deixa dúvidas que traz no seu bojo um duro ajuste fiscal, tendo as políticas sociais e a massa da população como suas vítimas.

Marina se afirma assim como uma farsante, que afirma distância da polarização do PT e do PSDB, mas substitui a este, decadente, na polarização, com teses e equipes similares. Vem dar novo fôlego na direita brasileira, neoliberal como tem sido desde Collor, passando por FHC e chegando agora na Marina, segunda vida, estepe dos neoliberais, prestes a sofrer outra derrota.

Desmistificar essa “novidade” da Marina é o caminho para desinflar sua popularidade, mostrando seu caráter, a quem serve, que não tem nada de novo, menos ainda corresponde ao que as manifestações de junho de 2013 levantaram e ao que Brasil precisa para avançar.

Fonte: Carta Maior

Marido de Marina ocupou cargos em governo do PT, desde 1992.

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Pimentel dispara no Ibope e seria eleito no 1º turno

Em relação à pesquisa anterior do instituto, o candidato da Coligação Minas Pra Você cresceu 12 pontos percentuais


FABIO RODRIGUES-POZZEBOM/ABR: Fernando Pimentel - Foto: Agência Brasil
Fernando Pimentel - Foto: Agência Brasil

Se as eleições para governador de Minas fossem hoje, Fernando Pimentel (PT), com 37% dos votos, seria eleito no primeiro turno, com uma diferença de 14 pontos de vantagem sobre o segundo colocado, o candidato do PSDB, Pimenta da Veiga, que aparece com 23% das preferências. Os números são de pesquisa do Ibope encomendada pela Rede Globo e divulgada no início da noite deste terça-feira, 26, no jornal MG TV. O candidato do PSB, Tarcísio Delgado, tem 3% das intenções de voto, segundo o instituto.
O levantamento aponta que os demais candidatos somam 1%, cada um, enquanto as opções em branco e nulo seriam as escolhidas por 11%. Os eleitores indecisos somam 22% do total.
O Ibope informou ter ouvido 1.806 eleitores entre os dias 23 e 25 de agosto. A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos e a pesquisa foi registrada sob o número 423/2014 no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Em relação ao levantamento anterior do Ibope, Pimentel saltou 12 pontos, enquanto Pimenta da Veiga oscilou dois para cima. O instituto fez uma simulação de segundo turno entre Pimentel e Pimenta da Veiga. O candidato do PT venceria com 42% dos votos totais, contra 26% do tucano. Nulos e brancos somaram 11% e os indecisos, 21%.

Aécio mente ao afirmar que investiu muito no Vale do Jequitinhonha.

Ex-governador de Minas diz que investiu três vezes mais no Vale do que em outras regiões.
Durante governo Aécio, PIB do Vale caiu de 1,8 para 1,9%, enquanto a Região Central subiu de 43 para 47%.

O candidato do PSDB à presidência da República, Aécio Neves, disse, ontem, no debate entre presidenciáveis, da TV Band, que investiu em regiões pobres como o Vale do Jequitinhonha e Mucuri três vezes mais queno restante do estado, proporcionalmente. 

Marina Silva, candidata do PSB, cutucou Aécio Neves que "critica a propaganda cinematográfica da Presidenta Dilma, mas mostra a sua Minas Gerais do mesmo jeito, uma Minas que não vê o Vale do Jequitinhonha, que não valoriza a educação".
Ao rebater 
Ao rebater a crítica, Aécio disse que "acredito que por desconhecimento do que por má fé, a candidata desconhece os professores e o Vale do Jequitinhonha. Em Minas Gerais, nós combatemos as desigualdades com o 14º salário e o programa de metas", disse Aécio. 

O ex-governador de Minas mente de novo sobre investimentos no Vale do Jequitinhonha. Durante 10 anos de governo Aécio/Anastasia o PIB - Produto Interno Bruto dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri caiu de 1,9  para 1,8%, enquanto a região Central, da Grande BH, subiu de 43 para 47%. concentrando mais riquezas e aumentando as desigualdades regionais.

Confira aqui: 
http://blogdobanu.blogspot.com.br/2014/08/aecio-neves-declara-que-minas-tem-baixo.html

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Dilma continua à frente. Marina cresce e abre 10 pontos à frente de Aécio.



Ibope: Dilma tem 34%; Marina, 29%; Aécio, 19%

Do UOL, em São Paulo
Pesquisa Ibope divulgada nesta terça-feira (26) mostra a ex-senadora Marina Silva (PSB) em segundo lugar na corrida presidencial, com 29% das intenções de voto.



Intenção de voto

PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA


Dilma RousseffPT

34

Marina SilvaPSB

29

Aécio NevesPSDB

19

Outros

2

Brancos e nulos

7

Indecisos

8
É a primeira pesquisa que o instituto faz depois da morte do ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos e da definição de Marina como candidata a presidente pelo partido. Também é o primeiro levantamento feito após o início do horário eleitoral gratuito na TV e no rádio.
A presidente Dilma Rousseff (PT), que busca a reeleição, lidera a disputa, com 34%. O senador Aécio Neves (MG), candidato pelo PSDB, caiu do segundo para o terceiro lugar e tem 19%. A margem de erro do levantamento é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.
O resultado reforça a tendência verificada pela pesquisa Datafolha divulgada em 18 de agosto. No levantamento da semana passada, Marina já aparecia numericamente à frente de Aécio, com 21% contra 20%, mas havia empate técnico entre os dois, levando em consideração a margem de erro. Agora, a ex-senadora está com vantagem de dez pontos percentuais sobre Aécio e somente cinco pontos abaixo de Dilma.
Na pesquisa Ibope divulgada hoje, o pastor Everaldo Pereira, candidato pelo PSC, e Luciana Genro, do PSOL, estão com 1%. Somados, os outros candidatos têm 1%.
A proporção de eleitores dispostos a votar em branco ou anular é de 7%. Os indecisos representam 8%.


Simulação 2º turno

PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA

  • Marina Silva

  • Dilma Rousseff

45%
36%
Brancos e nulos 9% Indecisos 11% - 26/08/2014
  • Dilma Rousseff

  • Aécio Neves

41%
35%
Brancos e nulos 12% Indecisos 12% - 26/08/2014
Na última pesquisa Ibope, divulgada em 7 de agosto, Dilma aparecia com 38%, Aécio tinha 23% e Eduardo Campos, então candidato do PSB, estava com 9%.
O resultado de hoje indica que a eleição deve ir para o segundo turno já que Dilma não tem mais do que a soma dos demais candidatos.
O Ibope testou dois cenários de segundo turno. Em uma eventual disputa entre Dilma e Marina, a candidata do PSB aparece à frente, com 45%, contra 36% da petista. Neste cenário, são 11% de indecisos e 9% de eleitores dispostos a votar em branco ou nulo.
No outro cenário, Dilma lidera com 41% contra 35% de Aécio, 12% de votos nulos ou brancos e 11% de indecisos.
O instituto entrevistou 2506 pessoas entre o dia 23 e hoje. Contratada pela Rede Globo, a pesquisa foi registrada no TSE com o número BR-00428/2014.

Rejeição e avaliação do governo

O Ibope também mediu a rejeição aos candidatos. A presidente Dilma é a mais rejeitada. A proporção de eleitores que dizem não votar na petista de jeito nenhum é de 36%. Marina é rejeitada por somente 10%; e Aécio, por 18%.
De acordo com o instituto, 34% dos entrevistados consideram o governo Dilma ótimo ou bom. Para 36%, a administração é regular. E a proporção dos que a consideram ruim ou péssima é de 29%. Dois por cento dos não souberam responder.


Avaliação

PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA


Ótimo e bom

Regular

Ruim ou péssimo

Não sabe ou não respondeu


27 MAR2014
17 ABR2014
22 MAI2014
22 JUL2014
07 AGO2014
26 AGO2014
0%5%10%15%20%25%30%35%40%
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Campanha presidencial 2014 137 fotos

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26.ago.2014 - A candidata Marina Silva (PSB) abraça a candidata à reeleição, Dilma Rousseff (PT), ao lado do candidato Aécio Neves (PSDB), no estúdio da TV Bandeirantes, minutos antes do primeiro debate entre presidenciáveis das eleições de 2014 Leia mais Miguel Schincariol/AFP