terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Filho reencontra o pai em Coronel Murta após 25 anos de procura

Após 25 anos de procura, o músico Carlos Adenilson Andrade de Sousa, de 27 anos, residente em Montes Claros, na região Norte de Minas, não imaginava que iria encontrar o pai, Jurandir Marcelino de Sousa, de 47 anos, através de uma receita de óculos emitida por um oftalmologista em Coronel Murta, no Vale do Jequitinhonha, onde o pai reside há 10 anos.

“Um amigo que trabalha em uma ótica em Montes Claros viu a receita. Ele sabia que eu procurava por meu pai e ao ver o sobrenome, decidimos investigar mais. Cruzamos os dados e acabei descobrindo o paradeiro dele”, relembra o músico emocionado, ao se encontrar com o pai, há cerca de uma semana em Coronel Murta.
“Ninguém sabia o paradeiro dele, mas eu nunca perdi a esperança de encontra-lo. Procurei em sites de desaparecidos e sempre buscava informações”, conta o jovem, que tinha 2 anos, quando o pai se separou da mãe, em Montes Claros.
Filho reencontra o pai em Coronel Murta – Foto: Gazeta de Araçuaí

O pai conta que após a separação, “caiu no mundo” e ficou todo esse tempo sem dar noticias para a família. “Creio até que eles pensaram que eu tinha morrido. Morei em Paracatu, Noroeste do estado, e finalmente em Josenópolis, onde conheci minha atual mulher”, lembra o pedreiro e agricultor Jurandir Marcelino, hoje casado com dona Lourdes Ferreira, também de 47 anos, com quem tem dois filhos, de 8 e 3 anos, uma enteada de 19 e um neto de 1 ano e 3 meses.
Residente em uma rua do Bairro Palmeiras, em Coronel Murta, poucos sabiam da história emocionante do pedreiro, que nasceu na zona rural de Coração de Jesus, a 100 km de Montes Claros, e onde ainda reside a primeira mulher, mãe de Carlos Adenilson.
O caso veio à tona às vésperas do Natal do ano passado, depois que o chefe do escritório local da Emater em Coronel Murta, Ricardo Froés, amigo do pedreiro, tomou conhecimento da história em uma sapataria em Montes Claros, cidade que o pai dele é vice-prefeito. “O dono da sapataria ao saber que eu morava em Coronel Murta, perguntou se eu conhecia o Jurandir e falou que o filho dele o procurava há 25 anos. Acabei fazendo a ligação entre pai e filho”, disse Fróes.
“Eu já sabia desde agosto que ele estava vivo e morando em Coronel Murta e chegamos até a ter um encontro tímido em Montes Claros”, disse o músico.
“Eu nunca perdi a esperança de reencontrar o meu primeiro filho, porém, minhas condições financeiras não permitiam que eu o procurasse.”, afirma o pedreiro, que atualmente frequenta uma igreja evangélica da cidade.
“Minha mãe casou novamente e teve dois filhos. Meu receio era com a reação das famílias. Estou muito feliz de conhecer minhas irmãs aqui em Coronel Murta.”, conta o músico.
Filho reencontra o pai em Coronel Murta – Foto: Gazeta de Araçuaí

Filho reencontra o pai em Coronel Murta – Foto: Gazeta de Araçuaí
Fonte: Gazeta de Araçuaí

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Carnaval de Minas Novas: Gilmelândia quer arrastar 20 mil atrás do trio elétrico

Em 2015, Gil arrebentou no carinho com as crianças. de Minas Novas.

Gilmelândia arrasta multidão em Minas Novas.


O carnaval de Minas Novas, no Vale do Jequitinhonha, tem tradição de arrastar multidões, atrás do trio elétrico. Foi assim, no sábado, com Reinaldinho, do Terra Samba, e neste domingo, com Gasparzinho. A Polícia Militar calculou que a multidão esteve em torno de 15 mil pessoas.

Nesta segunda-feira, são esperados cerca de 20 mil pessoas, que cantarão e dançarão ao som, voz e alegria de Gilmelândia, que esteve no carnaval de Minas Novas, no ano passado.


O carnaval Bom Demais de Minas Novas fica cheia de gente. principalmente de jovens.vindo de todos os cantos. Das cidades vizinhas de Capelinha, Turmalina, Berilo, Chapada do Norte, Araçuaí, Itamarandiba, Novo Cruzeiro e outras mais distantes como Guanhães, Diamantina e Teófilo Otoni.De Belo Horizonte e outras grandes cidades chegam caravanas de carnavalescos de minasnovenses ausentes da terra. Aproveitam para rever amigos e parentes.

No ano passado, Gilmelândia chegou atrasada, comçando a cantar às 4 da manhã. O povo esperou e se agitou, cantando suas músicas mais conhecidas quando participava da Banda Beijo como "Apaixonada", "Peraê", e "Bate Lata", além de "Maionese" , "Chegou o verão" e muitas outras que gosta de cantar com a Banda Vixe Mainha.. No domingo, 

Carnaval de Minas Novas, um dos mais tradicionais em Minas



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Minas Novas realiza um dos mais tradicionais carnavais do interior de Minas Gerais. Todos os anos, milhares de pessoas são arrastadas pela rua principal da cidade ao som do axé.

A folia começa com uma concentração em frente ao Estádio Pequizão, bem no alto da Avenida Waldemar César Santos. Por volta da meia noite o trio elétrico começa a descer a ladeira, passando pela igreja do Rosário, um belo cartão postal da cidade, até chegar a Praça da Câmara Municipal, onde a festa continua até o amanhecer do dia.De sexta-feira até ontem, várias atrações animaram os foliões. 

Durante os quatro dias, a programação da festa momesca também teve shows com bandas locais, muita diversão na Barragem das Almas, Mercado do Samba, matinês e o carnaval da melhor idade.
Quatro blocos caricatos, saem todos os dias. No sábado, saiu o Bloco Magalhães. No domingo, dois bloquinhos se juntaram e levaram mais de mil pessoas até o Mercado do Samba. Hoje, segunda-feira, o bloco Vai quem quer, do jeito que pode, anima as ruas da cidade.
Em novo post, este bloco publicará sobre a movimentação dos Blocos.

Estudante de Vale do Jequitinhonha tira nota 1.000 no ENEM

Aluno do IFNMG nota 1000 na redação do Enem segue na busca de seu sonho


Estar entre o seleto grupo de 104 estudantes de todo o país que tiraram nota máxima na redação do último Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) – entre as 5,7 milhões de pessoas que fizeram a prova – e ter conseguido bom desempenho nas demais provas do Exame deram a Sávio Oliveira Porto mais confiança para continuar em busca de seu sonho: estudar Medicina na UFMG. 
Recém-formado no curso técnico em Zootecnia, integrado ao ensino médio, pelo Instituto Federal do Norte de Minas (IFNMG) Campus Almenara, Sávio agora vai morar em Belo Horizonte e fazer cursinho preparatório.
Natural de Rio do Prado e com 18 anos recém-completados, Sávio estudou todo o ensino médio no Instituto. Segundo ele, o IFNMG e os professores contribuíram muito para esse resultado, sobretudo com relação à aprendizagem dos fatores de textualidade, coesão e coerência, e das normas gramaticais. E, pessoalmente, o diferencial foi à prática semanal e o compartilhamento das redações com colegas e professores. 
“Para fazer a redação tem que ter muita prática, muito conhecimento de mundo e muita leitura, principalmente de atualidades e de redações nota mil de edições anteriores do Enem. Eu fazia três redações por semana e trocava com amigos por um grupo no Facebook”, ressalta.

Fonte: Aconteceu no Vale

Minas Gerais é berço de importantes e centenárias manifestações carnavalescas



Manifestações culturais fazem parte do Carnaval de Minas – Crédito: Divulgação/SEC
Enquanto as vias da capital se enchem de foliões em busca de um Carnaval que só cresce, o interior de Minas Gerais exibe a festa com manifestações culturais de grande importância e tradição. Várias delas possuem mais de cem anos, e continuam atraindo turistas graças à beleza de suas fantasias, costumes e brincadeiras que invadem os becos e ruas de nossas belas cidades do interior.
Repletas de cores, bordados, bonecos, máscaras e até mesmo cavalos, essas primeiras manifestações carnavalescas mineiras vão alegrar a folia neste ano. O secretário de Estado de Cultura, Angelo Oswaldo, salienta o peso dessa tradição mineira quanto o assunto é confete e serpentina. “O Carnaval mineiro mantém algumas das mais antigas e originais tradições da grande festa popular do Brasil. Aqui, o carnaval é cultura”.
Conheça abaixo algumas dessas manifestações carnavalescas:
O Cai-N’Água, em Oliveira
O Dominó, um personagem encapuzado lúdico, crítico, romântico, e simultaneamente assustador e receptivo, é o arauto, o anunciador do Carnaval de Oliveira, que comemora 150 anos em 2016.
Essa curiosa figura carnavalesca tem origem em duas festividades religiosas bastante antigas e tradicionais: o Triunfo Eucarístico (Ouro Preto/1733) e o Áureo Trono Episcopal (Mariana/1748). Um século depois, o Dominó foi incorporado às festas populares. A figura é remanescente da concepção original do farricoco da procissão de Braga (Portugal) e de Sevilha (Espanha).
Segundo o pesquisador Marcio Almeida, já em 1549 o padre Manuel da Nóbrega relata em uma carta a procissão que se fazia no Brasil, “mui solene”, quando havia “danças e invenções à maneira de Portugal”.
Em 2013 o bloco Cai-N’Água foi registrado como Patrimônio Imaterial do município, um reconhecimento da importância desta manifestação cultural.

O Carnaval a Cavalo, em Bonfim
Em Bonfim, na região central, os animais aproveitam a festa para sair do cocho. O Carnaval a Cavalo surgiu a partir de desentendimentos numa festa de Cavalhada de Mouros e Cristãos, em 1840. Desde então os cavaleiros mascarados saem em cortejo e fazem evoluções em ritmo carnavalesco, conforme explica Leonardo Maurício, presidente do Clube do Carnaval à Cavalo.
“É uma brincadeira organizada. Cada cavalheiro prepara a sua fantasia de veludo bordado com pedras, mas todos têm que seguir as regras. O arreio tem que estar coberto pela cor vermelha e o cavalo precisa ser enfeitado com flores presas ao coro. Mantemos tudo nos conformes para que não se perca a tradição”.
A Secretaria de Estado de Cultura mantém convênio com o clube, que se consolidou como um Ponto de Cultura. Foram repassados R$ 180 mil para equipar a sede e manter a estrutura e manutenção do espaço, que disponibiliza para a população local máquinas para pesquisa além de cursos de fotografia e cultura popular.
Desfile Sapo Seco – Crédito: Divulgação/Banda do Sapo Seco

O Sapo Seco, em Diamantina
O senso crítico despertado em meados do século XX ao se tratar dos problemas sociais em pleno carnaval remonta à tradição da “Banda Fogosas do Sapo Seco”. Ao longo do tempo e já com o epíteto resumido para “Banda do Sapo Seco”, as sátiras continuaram a ironizar importantes passagens da história de Minas.
Neste ano, o tema remete ao rompimento das barragens em Mariana. “Esse Carnaval traz para as ruas os assuntos que muitas pessoas esquecem nesta época”, conta Wilton Brant, presidente do bloco.
As tradições satíricas tiveram início quando um grupo de folguedos mascarados da família de Elias Sapo Seco utilizava do humor para criticar fatos da Diamantina daquela época. Eles trajavam alegorias e máscaras artisticamente confeccionadas por cada um de seus integrantes.
A partir daí, tornou-se um dos principais motes dos carnavais diamantinenses. O cortejo composto somente por homens “sapos” desfila pelas ruas, tendo à frente um estandarte com os dizeres da bandeira do ano.
Zé Pereira dos Lacaios – Crédito: Divulgação/SEC

O Zé Pereira, em Ouro Preto e Mariana
Desde 1867, o Clube dos Lacaios de Ouro Preto sobe e desce as ladeiras da velha Vila Rica, cadenciando o ritmo do Zé Pereira. Os Cariás são pequenos diabos que arrancam faíscas do calçamento, abrindo caminho para os Catitões, o Português e a Baiana, enormes bonecos à frente da bateria.
Segundo o atual presidente, Arthur Carneiro, a tradição é algo que perpassa gerações. “Há famílias que fazem parte do grupo há várias gerações. Para mim é uma honra poder assumir, aos 20 anos, um dos blocos mais antigos do país, com seus 149 anos”.
A batida do Zé Pereira surgiu naquela época, no Entrudo do Rio de Janeiro, e da corte chegou à capital da província de Minas, graças ao bloco formado pelos empregados do Palácio dos Governadores, que fundaram o Clube dos Lacaios. Em Mariana, o também centenário Zé Pereira da Chácara faz a abertura dos desfiles, com os grandes bonecos na dianteira.
Além dos três bonecos mais tradicionais – o Catitão, Baiana e o Benedito – feitos de papel marchê na década de 50, personalidades ouro-pretanas como Sinhá Olympia, Jair Boêmio, Valdir do Rádio, Ninica e Tiradentes foram recentemente materializados em bonecos em uma oficina do Festival de Inverno. Tocadores de tarol, caixa, surdo e bumbo, acompanhados dos clarins trazem para a cidade barroca as composições próprias e tradicionais do Clube dos Lacaios. (Agência Minas)
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Música para todos os gostos no Carnaval de Diamantina




“Quer terminar? Termina. Eu vou pro Carnaval de Diamantina!”

Se o público esperado para este ano (20 mil pessoas por dia) é metade do que costumava lotar repúblicas e ladeiras em edições anteriores, a estrutura da cidade de 47 mil habitantes deve comportar melhor os turistas, que terão shows de primeira durante toda a semana.
As atrações confirmadas para 2016 são para todos os gostos: o pagode do Molejo, o samba do Oba Oba Samba House, os roqueiros do Tianastácia e a dupla João Lucas & Diogo além, é claro, da Bartucada e da Batcaverna, bandas de percussão tradicionais da cidade que tocam no Mercado Velho em todos os dias de folia.
Apesar do apoio financeiro menor da prefeitura, nove blocos caricatos tradicionais, como Sapo Seco, Xica da Silva, Xai Xai e Me Ampara Senão Eu Caio atravessam as ladeiras do centro histórico arrastando a multidão pela tarde. Além da programação oficial, quem estiver em Diamantina pode conferir as tradicionais festas nas repúblicas estudantis, que costumam receber com bailes funk a maioria dos foliões que chegam à cidade.

Programação:

PRAÇA DO MERCADO
05 de fevereiro (Sexta-feira)
22h00 – Abertura
00h30 – Oba Oba Samba House
03h30 – Bartucada

06 de fevereiro (Sábado)
21h00 – Batcaverna
01h00 – Tianastácia
04h00 – Bartucada

07 de fevereiro (Domingo)
21h00 – Bartucada
01h00 – João Lucas & Diogo
04h00 – Batcaverna

08 de fevereiro (Segunda-feira)
21h00 – Batcaverna
01h00 – Bartucada
05h00 – Grupo Molejo

09 de fevereiro (Terça-feira)
21h00 – Batcaverna
00h00 – Samira Lima + Geminix
04h00 – Bartucada

LARGO DA QUITANDA
04 de fevereiro (Quinta-feira)
21h00 – Banda Razão Social
23h30 – Derik Cairo e Banda
02h00 – DJ OR7

05 de fevereiro (Sexta-feira)
20h00 – DJ OR7
22h00 – Uh! Bloco
01h00 – Samba 2

06 de fevereiro (Sábado)
14h00 – Samba de Roda da Bat
18h00 – DJ Daniel Montauvany
20h30 – Becudos do Mota
00h00 – Sambeco

07 de fevereiro (Domingo)
14h00 – DJ Daniel Montauvany
18h00 – Sertanejo Alex Kioshy
20h30 – Becudos do Mota
00h00 – Sambeco

08 de fevereiro (Segunda-feira)
14h00 – Chega Chegando
18h00 – DJ OR7
20h30 – Becudos do Mota
00h00 – Sambeco

09 de fevereiro (Terça-feira)
14h00 – Samba 2
18h00 – Samba de Roda da Bartucada
20h30 – Becudos do Mota
00h00 – Sambeco

BLOCOS CARICATOS
04 de fevereiro (Quinta-feira)
21h00 – Bloco Me Ampara Se Não eu Caio

05 de fevereiro (Sexta-feira)
20h00 – Bloco Chega Chegando

06 de fevereiro (Sábado)
16h00 – Sapo Seco
18h30 – Xica da Silva
21h00 – Zé do Caixão e BalãoMágico

07 de fevereiro (Domingo)
16h00 – Mingau com Queijo
17h00 – Xai, Xai
20h00 – Apolo XIII

08 de fevereiro (Segunda-feira)
16h00 – Sapo Seco
18h30 – Silva da Silva
21h00 – Zé do Caixão e Balão Mágico

PRAÇA DA CATEDRAL E BONFIM
- Festival Gastronômico
- Feira de Artesanato
- Exposição de Fotos
- Food Truck

Fonte: R7 / Record Minas

sábado, 30 de janeiro de 2016

Brasília? Itaipu? Não. SUS é a maior obra da história do Brasil

Para recobrar o ânimo, lembre-se que esta terra meio atrapalhada foi 

pioneira, entre países grandes, a transformar saúde em direito fundamental.

Leandro Beguoci - BBC Brasil
Jaelson Lucas SMCS
Um dia, no começo dos anos 1990, minha mãe atendeu o telefone e soube que o
irmão mais velho estava com o coração por um fio. O rosto da minha mãe congelou,
e ficou assim por um tempo, numa expressão dura de impotência e tristeza.
 Meu tio  não tinha convênio médico.

Era uma situação tão difícil quanto previsível. No Jaraguá, bairro da periferia
 de São Paulo onde meu tio vivia, as pessoas morriam cedo. E não era só lá.
 Em Pirituba, onde meus avós e algumas tias moravam, a situação era a mesma.

Lembro bem das vizinhas que foram viúvas quase a vida inteira e das pessoas
 que tinham dois nomes – o segundo era uma homenagem a um irmão morto
 logo depois do parto. A morte estava por perto. Era só esperar um pouquinho
 que ela chegaria depois de uma gripe ou de uma festa de domingo.

Essas pessoas – pedreiros, eletricistas, donos de bar, sapateiros – não tinham 
renda o suficiente para bancar essa despesa nem um pedaço do Estado para
 pedir ajuda. Plano de saúde era coisa de funcionário público ou de região com
 muita fábrica, região desenvolvida, coisa do admirado ABC Paulista, onde vivia
 outra parte da família. Aquele pedaço industrial de São Paulo, na minha cabeça
 de criança, era intocado por velórios.
Para sorte da família do eixo Jaraguá-Pirituba, o Brasil criou o SUS (Sistema
 Único de Saúde) em 1988. Como lembra o doutor Drauzio Varella, "nós nos
 tornamos o único país com mais de 100 milhões de habitantes que ousou
 oferecer  saúde para todos".

Tivemos essa coragem nos anos 1980. Naqueles anos difíceis, uma série de
heróis anônimos, de diferentes correntes políticas, criou um consenso.
 Não é uma questão de políticas do MDB ou da Arena, do PT, PSDB, PMDB
 ou DEM. O Brasil chegou à conclusão de que saúde era direito de todo mundo
e de que a conta deveria ser rateada entre a população – tanto que colocou isso
na Constituição.

Futuros engenheiros

Foi uma das obras mais grandiosas da nossa história – maior do que Brasília,
 maior do que Itaipu. Essas obras são importantes, claro. Mas a existência do
SUS permite que futuros engenheiros sobrevivam ao primeiro ano de vida.

Entre 1990 e 2015, o Brasil derrubou drasticamente a taxa de crianças que
 morrem com poucos anos de vida. Os médicos da família chegam a milhões
 de pessoas. 
A vacinação, o transplante de órgãos e o combate à Aids se transformaram
 em referências internacionais. Recentemente, foi uma médica do SUS quem
descobriu a relação entre zika vírus e microcefalia.

O SUS também salvou algumas vidas familiares. Meu tio com o coração frágil, 
graças ao sistema público, está vivo e bem até hoje – apesar da sua situação
 ainda ser preocupante.

O SUS é inspirado nos sistemas de saúde dos países da Europa Ocidental, como o 
NHS (National Health System) inglês. Admirado e respeitado, foi até homenageado
na abertura da Olimpíada de 2012, em Londres.

Para criar um sistema assim, é preciso que o país, em algum momento da sua história, 
tenha chegado a uma conclusão: saúde não é apenas responsabilidade individual. 
É direito das pessoas e, portanto, obrigação do Estado.

Parece um jogo de conceitos, mas não é. Nos EUA, sempre foi muito difícil criar 
um sistema público de saúde. Para muita gente, é uma interferência enorme do 
governo na vida das pessoas e esse problema é mais bem resolvido por operadoras 
privadas de saúde, com incentivos para competir e oferecer melhores serviços.

Isso tem consequências. As pessoas têm acesso a muitos medicamentos e 
tratamentos modernos nos EUA. Ao mesmo tempo, têm contas gigantescas 
para pagar e muitas famílias quebram – ou não tem acesso a serviços básicos. 
Na Europa ocidental, o tratamento é publico e gratuito. Pode ser mais demorado, 
nem sempre é de ponta, mas ninguém precisa se preocupar com contas 
milionárias.

Claro, há uma enorme zona cinza entre esses dois pontos, e é muito raro encontrar 
um país que seja apenas público ou apenas privado. Há variações sobre o tamanho 
do Estado tanto em investimento quanto em regulação – afinal, o que você vai fazer
 caso seu plano não te atenda? Não importa o modelo. Ele sempre pede escolhas, e 
elas não são fáceis. Não tem exatamente certo ou errado. Tem o que funciona e o 
que não funciona para cada país, de acordo com as escolhas que cada um faz em 
determinado momento da sua história.

Deficiências

O SUS é um avanço gigantesco, mas é impossível ignorar os casos de corrupção, 
o descaso com hospitais e postos de saúde, além da demora de meses para agendar 
consultas em muitos Estados e municípios. Na média, ainda temos menos médicos 
a disposição das pessoas do que a média dos países mais desenvolvidos do mundo – 
e ainda temos de ver Estados, como o Rio de Janeiro, em situação de calamidade.

Até a médica que descobriu o elo entre zika e microcefalia, na Paraíba, vive longe
 do paraíso – ela precisa de muito mais dinheiro para tocar suas pesquisas.

O complexo sistema de financiamento do SUS, dividido entre União, Estados e 
municípios, não ajuda. Muitos governadores e prefeitos não investem o mínimo 
necessário para o sistema funcionar. Na prática, os gastos de todos os governos 
com saúde não chegam a 4% do PIB. É pouco.

Se somarmos todos os gastos com saúde no Brasil, o setor privado é responsável 
por 60% dele. Os outros 40% são de dinheiro público. Porém, o setor privado
 atendeapenas 25% das pessoas. A maior parte dos brasileiros depende de um
 dinheiro escasso, picotado e, muitas vezes, mal administrado.

Para piorar, o setor privado está longe da sua melhor forma. Mesmo os brasileiros 
que podem pagar não estão seguros. As reclamações são gigantescas.
 Dados recentes revelam que cerca de 100 mil pessoas fizeram queixas formais dos
 serviços dos convênios em um ano.

Além disso, em muitos casos o setor privado repassa a conta ao governo. 
Os planos usam brechas jurídicas para mandar seus consumidores ao SUS,
 economizando alguns milhões em repasses a médicos e hospitais.
 Além da canibalização de recursos escassos, há uma malandragem desagradável.

A conta do SUS é difícil. Afinal, dinheiro público não é dinheiro gratuito – ele
 vem dos nossos impostos e das nossas escolhas. Saúde é uma questão de vida
 e morte – e mesmo o melhor plano não garante um tratamento caríssimo de
 câncer. Não há um consenso de que só Estado ou só o mercado possam resolver
 o problema. Saúde é um desafio gigantesco, concreto e imediato. Mas é uma
 questão que vale a pena encarar.

Nesse Brasil polarizado, muitas vezes em torno de questões vazias, é sempre
 bom lembrar dos tios que foram salvos pelo SUS e de quantos mais poderiam
 ter sido salvos, se o sistema fosse melhor.

Temos de ter orgulho das coisas que dão certo e espírito crítico para resolver,
 sem histeria, os nossos problemas. Um SUS poderoso não é bom apenas para
 quem usa o sistema público – ele também obriga o setor privado a puxar sua
régua lá pra cima.
Publicado no site www.cartamaior.com.br

Novela ‘Liberdade, Liberdade’ da Rede Globo terá como cenário a região de Diamantina

Elenco começa as gravações de ‘Liberdade, Liberdade’ (Foto: Globo / João Cotta)

Parte do elenco da nova novela das 23 horas na TV Globo, “Liberdade, Liberdade”, já começou as gravações. As cenas da primeira fase da trama acontecem no período da Inconfidência Mineira e terão como cenário a região de Diamantina, no Vale do Jequitinhonha. Os artistas e a equipe de produção estão no município para as imagens que serão feitas em locais como Gruta do Salitre, Estrada Real e Cânion do Funil. Mel Maia e Dalton Vigh são os primeiros atores a surgirem com o figurino de seus personagens. Além deles, Thiago Lacerda, Zezé Polessa, Marco Ricca e Nikolas Antunes estão no município mineiro.

A novela tem previsão de estreia para abril deste ano e contará a história de Joaquina (Mel Maia / Andreia Horta), filha de Tiradentes (Thiago Lacerda) e Antônia (Letícia Sabatella). A menina nasceu no Brasil e, após presenciar a morte dos pais, é levada para Portugal por Raposo (Dalton Vigh), que a cria como sua herdeira. Na Europa, Joaquina muda de nome e passa a se chamar Rosa, para afastar os que são contra a inconfidência.
Após alguns anos, com Rosa/Joaquina já adulta, Raposo decide voltar ao Brasil. Eles ficam hospedados no Rio de Janeiro e Rosa não passa despercebida. A jovem será reconhecida por pessoas que conheceram seus pais e também será amada por outros rapazes. Mão de Luva (Marco Ricca) reconhece a menina que tentou vender quando ficou órfã. Rubião (Mateus Solano) fica encantado com a beleza de Rosa, mas terá o ódio da jovem, que descobre que ele que matou sua mãe. E Rosa ainda ficará apaixonada por Xavier (Bruno Ferrari), um rapaz que estudou na Europa e tem ideais liberais como ela.
Elenco começa as gravações de ‘Liberdade, Liberdade’ (Foto: Globo / João Cotta)

Figurantes de Diamantina participam das gravações (Foto: Diamantina Cultural)
Fonte: Caras